A briga começou por causa da louça.
Não começou, claro. Mas foi o que apareceu: a louça que ficou na pia, o comentário que saiu mais ácido do que o pretendido, a resposta que não deveria ter vindo daquela forma.
E, de repente, duas pessoas adultas e razoáveis estavam se olhando como adversários.
Vinte minutos depois, nenhum dos dois sabia direito como tinha chegado até ali.
Mas a louça já não tinha nada a ver com o assunto.
Marshall Rosenberg, psicólogo americano e criador da Comunicação Não Violenta, propôs uma forma diferente de compreender os conflitos: por trás de muitas acusações pode existir uma necessidade não atendida. E, por trás de muitos ataques, um pedido que ainda não conseguiu encontrar uma forma de ser dito.
A briga sobre a louça pode ser sobre cansaço.
Sobre sentir-se invisível.
Sobre a sensação de que uma pessoa carrega mais do que a outra.
Sobre um dia difícil que não encontrou espaço para ser compartilhado.
A louça foi apenas o gatilho. A faísca que encontrou algo já acumulado.
O problema é que, na hora da briga, a gente fala sobre o que está na frente: o gesto, a palavra, o comportamento.
E raramente fala sobre o que está por baixo.
Porque dizer o que está por baixo exige vulnerabilidade. E, no meio de um conflito, ser vulnerável pode parecer arriscado demais.
Então atacamos.
Defendemos.
Saímos de cena.
E o que realmente precisava ser dito fica sem encontrar lugar.
A terapia de casal não existe para ensinar duas pessoas a nunca discordarem. Conflitos fazem parte de qualquer relacionamento.
O trabalho é ajudar o casal a compreender como essas discussões acontecem, o que cada um tenta expressar e como conversar sem deixar tantos destroços pelo caminho.
É aprender a dizer o que está por baixo antes de explodir com o que aparece na superfície.
Porque, às vezes, tudo o que a outra pessoa precisava ouvir era:
“Estou exausta e precisava que você tivesse percebido.”
E não tinha nada a ver com a louça.
Ps: da próxima vez que sentir uma briga chegando, tente se perguntar: o que eu realmente estou querendo dizer? A resposta pode surpreender.
Quando as discussões se repetem e o que realmente importa continua sem ser dito, conversar com apoio pode ajudar o casal a compreender o conflito de outra forma. Para conhecer mais sobre a terapia de casal, clique aqui.



