Ela havia pedido a separação.
Foi ela quem iniciou, quem guardou as coisas em caixas e quem foi dormir no apartamento novo. Todos sabiam disso.
Então, quando começou a chorar, ouviu:
“Mas foi você quem quis.”
Como se ter escolhido algo tornasse desnecessário sentir falta.
Existe uma confusão comum entre culpa e luto, como se só tivéssemos o direito de sofrer pelas perdas que nos foram impostas.
Mas o luto não funciona assim.
Ele não pede permissão, não verifica se a decisão foi sua ou do outro e não consulta ninguém antes de aparecer.
Ele simplesmente aparece.
Elisabeth Kübler-Ross ficou conhecida por descrever emoções que podem surgir diante da morte e do morrer, como negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.
Com o tempo, essas emoções também passaram a ser associadas a outras perdas significativas. Isso não significa que todas as pessoas vivam as mesmas etapas, nem que elas aconteçam em uma ordem definida.
O fim de um relacionamento, de uma carreira que não se tornou o que deveria ou de um sonho adiado por tanto tempo que silenciosamente deixou de existir também pode provocar luto.
O luto não é exclusivo da morte.
E, ainda assim, socialmente, costumamos reconhecê-lo com mais facilidade quando há um caixão.
Para todo o resto, esperamos que a pessoa “se recupere logo”, “olhe para o que ganhou” ou, minha favorita, “foque no futuro”.
Ótimo conselho.
Só que o luto não tem atalho. Tem ritmo.
E ignorá-lo não faz com que desapareça. O sofrimento pode reaparecer mais tarde, às vezes como ansiedade, irritabilidade ou um choro inesperado em uma quinta-feira comum.
A psicoterapia individual oferece algo que o mundo lá fora raramente oferece: um espaço onde a perda pode receber o nome que merece.
Independentemente de quem tomou a decisão, de existir ou não um “motivo suficiente” para sentir o que se sente, ou de os outros acharem que você já deveria ter superado.
Porque luto não se supera.
Se atravessa.
Ps: se alguém já disse “mas foi você quem quis” enquanto você estava sofrendo, lamento. E, se foi você quem disse isso para alguém, talvez valha revisitar.
Nem toda perda é reconhecida por quem está ao redor, mas isso não a torna menos real. Para conhecer mais sobre como a psicoterapia individual pode ajudar nesse processo, clique aqui.



